sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Tratamentos de fertilidade, mas não para todos

Aparentemente, a British Fertility Society está a recomendar que não sejam concedidos tratamentos de fertilidade a mulheres com um índice de massa corporal superior a 36.
Já no que diz às mulheres com peso a menos ou classificadas como simplesmente obesas ( índice de massa corporal superior a 29), esta sociedade defende que só deveriam ter acesso a tais tratamento após resolverem os seus problemas de peso.
Para que todos saibamos o que isto siginifica, aqui vai um site que calcula o índice de massa corporal (a conta é bem simples):
http://www.copacabanarunners.net/imc.html

As regras do serviço nacional de saúde britânico apenas determinam que estas mulheres sejam informadas dos riscos inerentes a uma gravidez nessas condições (problemas de diabetes e de tensão alta podem colocar em risco a saúde da criança e da mãe), não sendo permitido associar qualquer tratamento ou dieta ao tratamento para fertilidade.
Na verdade, a intenção da British Fertility Society é boa, pois pretende impor alguma ordem num sistema em que os reuisitos variam conforme o médico responsável (há médicos que não ministram o tratamento se o casal já tiver um filhos...).
E também é evidente que faz mais sentido resolver o problema da obesidade antes da gravidez.
A questão que se me colocou de imediato foi a seguinte: Se estas mulheres decidirem não lidar primeiro com a obesidade, ou, pior, não o conseguirem, será que temos o direito de as impedir de engravidar?
A verdade é que, caso não sofressem de problemas de fertilidade, ninguém, a não ser o casal, teria qualquer palavra a dizer... Será que podemos reconhecer direitos diferentes às mulheres ferteis e às inferteis?
Mas admito que é um tema extremamente complicado.

5 comentários:

  1. Tal como disseste roque:é extremamente complicado!!!Ora se essas pessoas caso não fossem infertéis poderiam por sua própria e livre vontade trazer uma criança ao Mundo porquê estar a impedi-las de o fazer quando têm de recorrer a terceiros?Porque não podem ter acesso a tratamentos médicos de fertilidade como uma qualquer pessoa?A resposta que em encontro alguma lógica é:se essas pessoas sozinhas não tinham consciência de que estavam a aumentar as estatísticas de doenças que se podem vir a revelar fatais então que alguém o faça por elas...sinceramente concordo com a British Fertility Society!!Não vejo aqui discriminação mas sim prevenção!Saber que poderá nascer uma criança com graves problemas de saúde e nada fazer parece-me mais grave do que restringir o tratamento de fertilidade a mulheres obesas...uma criança não tem culpa dos pais que tem e se estes por si só não têm consciência dos perigos inerentes a uma gravidez em que a mãe tem excesso de peso então que alguém o faça por eles e impeça isso!E se realmente houver vontade essas mulheres conseguirão atingir um índice de massa corporal compatível com um tratamento de fertilidade de acordo com os padrões impostos!

    ResponderEliminar
  2. O meu problema com este raciocinio e que se o levarmos ao extremo, temos justificacao para esterelizar os incapazes ou as pessoas que integram grupos de risco. O meu problema e determinar onde fica a fronteira entre a prevencao e a preocupacao com a saude publica e a restricao intoleravel de direitos pessoais.
    E uma questao que me coloca mts duvidas.
    (Desculpa a falta de acentuacao, mas os teclados polacos nao tem essas teclas).

    ResponderEliminar
  3. Continuo a considerar que é prevenção!Vejamos:para esterelizar incapazes ou pessoas que integram grupos de risco é necessária a intervenção humana o que condeno de todo.Limitar as potencialidades humanas de cada um por intervenções cirúrgicas é um acto abominável...cabe pois à consciência e bom senso (por vezes à sorte...) dessas pessoas o optarem ou não ter filhos.
    Mas neste caso não se vai limitar nada porque tal já está, por defeito de natureza, é certo, limitado!O que quero dizer é que condeno a 1ª mas aplaudo a 2ª por uma questão de saúde pública,por não criar mais uma pessoa que nascerá inevitavelmente doente e dependente de medicamentos para o resto da vida...O que constituirá maior "crime moral":impedir os tratamentos de fertilidade a uma pessoa doente e que vai fazer com que o seu filho nasça doente ou permitir o nascimento de uma criança (que não tem culpa da inconsciência dos pais) que vai ser doente toda a vida...?

    ResponderEliminar
  4. e só desculpo a falta da acentuação porque estás na Polónia e porque depois me vais mostrar as maravilhosas fotografias que andaste a tirar por esse país :p
    boas férias :)

    ResponderEliminar
  5. Mara, birlhante argumentação! Estou rendido!

    ResponderEliminar