segunda-feira, 7 de maio de 2007

Irritei-me.

Hoje de manhã tive a infeliz ideia de ver a revista de imprensa da SIC notícias. O convidado (António Manuel Revez) teve oportunidade de emitir uma série de disparates e barbaridades que tiveram o condão de me irritar.
Começou logo pelo comentário às eleições da Madeira. Será que foi a vontade dos madeirenses que foi comentada? Não. Foi a necessidade de restringir a democracia e limitar os mandatos dos presidentes dos governos regionais, pelo que o senhor entende que se deve voltar a falar nisso. Reduzir a democracia com o objectivo de afastar Alberto João Jardim, parece-me já de si um disparate, mas as barbaridades continuaram. É que ele entende que não basta limitar os mandatos individuais. Tem de ser dos círculos de influência, isto é, dos partidos!!
Não é fantástico? Segundo António Manuel Revez, cada partido só deve poder exercer X mandatos...
É o que eu digo. Esta gente não respeita a democracia. Sempre fui contra a limitação de mandatos porque ela é um atentado à liberdade do Povo escolher. Mas não obstante discordar, eu entendo as motivações que lhe estão por trás. Mas há limites! Qualquer dia é melhor uma comissão prévia de filtragem do voto popular, não vá ele votar em alguém que não se quer...

A irritação continuou, agora com a minha faceta bairrista a despertar. É que uma das notícias escolhidas foi um conflito entre a população de Taveiro (uma vila da área suburbana de Coimbra) e o pároco. Ora, o convidado refere-se à zona de Coimbra como "estas áreas do centro norte que são influenciadas demasiadamente pela Igreja"...
É de alguém que não conhece Coimbra (uma cidade ainda por cima que está bem à esquerda...) e que gosta de falar do que não sabe. Enfim. É "gente do sul que é mentalmente controlada pelo comité central do PCP".

Mau perder

Para jogar na democracia é preciso saber ganhar e saber perder. E este fim-de-semana tivemos exemplos de mau perder. O PS/Madeira claramente não soube reagir à derrota. Não felicitou os adversários, atribuiu a votação dos madeirenses a não existir democracia, etc... Uma pena.
Ainda pior foi a esquerda francesa, que como reacção ao voto popular, resolveu destruir automóveis...
Só deve participar na democracia quem a aceita... E aceitar a democracia é aceitar a vontade popular.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Aproveitamento Político

Com o PSD, e bem, a promover eleições intercalares na Câmara Municipal de Lisboa, a irresponsável oposição não tardou em vir aproveitar-se e exigir, já agora, eleições para a Assembleia Municipal. Pergunto eu, já agora porque não também para a Assembleia da República e para o Presidente da República?
A Assembleia Municipal é um órgão autónomo, com legitimidade democrática própria. Vota-se separadamente para a Câmara e para a Assembleia. Se há problemas na Câmara, que tem isso a ver com a Assembleia??
Nada. E o PS e o PCP sabem que nada tem a ver. Mas infelizmente na política portuguesa vale tudo.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Exemplo a seguir

TPI emite mandados de captura contra dois suspeitos de crimes de guerra em Darfur
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1292739&idCanal=15

terça-feira, 1 de maio de 2007

Filhos de um Deus Menor

É impressionante. Na dúvida, os árbitros de futebol beneficiam o mais forte. Nem um Estádio com 20.000 pessoas conseguiu desviar Olegário Benquerença do objectivo que trazia: prejudicar a Académica. Perdi a conta dos "erros" que foram cometidos. Mas ele saberá quais são com toda a certeza. Um golo fora de jogo foi suficiente para a vitória do Braga, mas teve de ser completado com a anulação inexplicável do golo da Académica e com o fechar de olhos tão conveniente a uma mão na área que daria penalty e possivelmente o empate. E já nem falo na incrível expulsão de Cacá.
Assim, é muito difícil estar na super liga. Pois é.
Ficam os meus parabéns ao árbitro e a quem esteve por trás da sua atitude. Ao Braga, felicito pela sorte que teve. Nem os próprios acreditam que venceram.

domingo, 29 de abril de 2007

Só visto...

Agora no intervalo do meu trabalhinho deitei um olho à RTP1 e está a dar o Só Visto, onde o entrevistado é Simão Sabrosa... Só se me suscita uma questão: o desenvolvimento de capacidades futebolísticas terá sempre como efeito automático e irreversível a atrofia dos neurónios? Será que existe alguma excepção?

sábado, 28 de abril de 2007

Portas em grande.

Depois de se ter saído muito mal (mesmo muito mal, aliás) da luta pelo poder no CDS, onde mostrou uma faceta do seu carácter de que ninguém gostou, Portas vai recuperando o seu lugar.
Ontem na Assembleia da República foi brilhante, tendo conseguido colocar a discussão entre Governo e CDS, minorizando os outros partidos. Foi o único que percebeu o problema da nomeação de Pina Moura para a presidência da TVI: é que não está em causa obviamente as decisões de uma empresa privada que escolherá quem bem entender. O que está em causa é a isenção da informação dada por uma estação que é titular de uma licença pública de televisão.
Parabéns a Paulo Portas. Oxalá traga o CDS de novo para o lugar onde deve estar.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Carmona Rodrigues, arguido no Bragaparques...

Estou incrédulo. Era a última coisa que esperava. Carmona tem inúmeros defeitos, mas sempre o vi como pessoa séria e honesta. Saber que sobre ele recai a suspeita de crime é a queda de um mito. Mas neste país há alguém que não seja vigarista?

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Burocracia e mais burocracia.

Recebo hoje uma carta da Segurança Social a chamar-me tudo, desde criminoso a burlão. É que os senhores dizem que nem um cêntimo eu descontei para a Segurança Social desde Maio de 2004, pelo que a minha dívida está bonita.
Depois da incredulidade, lá fui passar a tarde na companhia das senhoras da segurança social. Tenho que ser eu a provar que descontei. Lá voltei a casa, mergulhar-me em papéis, para encontrar documentos comprovativos dos descontos. Não deixa de ser um bocado esquizofrénico que a Segurança Social, a quem se deixa as economias, perca o registo dos descontos e que tenha de ser o pobre do contribuinte a provar que sim, que eles lá têm o dinheiro que é nosso. Mas adiante...
O problema começa a partir do momento em que passei a descontar para outro sistema de protecção social, igualmente público, pertencente ao mesmo Estado (Caixa Geral de Aposentações). Aí o caso já é mais grave. É que eles não podem entrar em contacto com a CGA, tenho de ser eu.
Tentativa n.º 2: recibos de vencimento onde se diz que o meu empregador entrega X à CGA? Não pode ser... É que nada garante à Segurança Social (do Estado) que o meu empregador (o Estado) entregou X à CGA (que, veja-se, também é do Estado). Então o que é preciso? Uma declaração do meu empregador!
Ia caindo. Então um recibo de vencimento não prova. Mas se for uma folha passada pelo empregador, aí sim, já se faz a prova.
Pode ser a SS a pedir, já que é tudo do Estado? Não. Claro que não. Tenho de ser eu, que até nem tinha nada que fazer...
Um dia gostava de viver num país onde estes disparates não acontecessem. Onde, sei lá, eles cruzassem os dados todos do Estado. Mas não. A saga burocrática mantém-se...

Não gostei. Mesmo nada.

Fui no fim-de-semana passado à Casa da Música, fiz uma visita guiada (organização do CMUC) e infelizmente fiquei muito desiludido. Se calhar eram as expectativas que eram demasiado elevadas...
Dá a ideia de ser uma obra arquitectónica fantástica (utilizando o termo despido de qualquer valoração) feita por alguém que não percebe nada de música. A ideia que me ficou é que se subalterniza a música a uma filosofia de desconstrução dos conceitos tradicionais e que existem por alguma razão.
Luz natural na sala principal? Que bonito. E é bonito, de facto. Mas as pessoas vão conversar. Está provado que se a sala não for escura, com iluminação apenas nos músicos, as pessoas conversam. A luz imensa desconcentra, faz perder a ligação ao que de facto é importante.
Lugares onde se não vê o palco? Mas para quê? Se alguém quer ouvir música sem ver quem a faz, compra um CD, não vai ver um espectáculo.
Tudo aberto ao povo permanentemente. É uma ideia óptima, porque traz as pessoas para as salas de espectáculos. O que se passa é que a todo o edifício tem acesso livre excepto a sala principal. Mas por amor de Deus: criancinhas a berrar e bares no meio dos corredores dão cabo de qualquer ambiente musical que se quisesse criar.
Salas de ensaio visíveis? As salas de ensaios estão ao pé das bilheteiras e são visíveis pelo público. Isto é, os músicos em vez de se concentrarem vão encontrar a malta colada ao vidro, qual pobres com fome, a ver o que se lá passa.

Por fim, aquela obra pareceu-me um conjunto de improvisações. Há que lembrar que o projecto foi feito a pensar numa casa familiar e não num espaço para espectáculos musicais. Fica a sensação que está tudo meio improvisado, o que é assumido. Há espaços que não têm função e que resolveram agora tornar em auditório para conferências. Mas a ideia que se tem é a de estar num edifício em obras.
Depois, há um desaproveitamento do espaço que é irresponsável, parece-me. Metade do espaço ocupado pelo edifício resume-se a ar e vento: a construção é oca, excepto no centro.

Enfim. Sinceramente, prefiro assistir a concertos no CCB ou na Gulbenkian. Sem qualquer comparação.

terça-feira, 24 de abril de 2007

33 anos de democracia....

A democracia portuguesa completa 33 anos de idade, precisamente quanto durou a vida de Cristo (espero que nenhum abrilista mais convicto me faça mal por associar Jesus Cristo à revolução). De entre o bom e o mau (também o houve, não sejamos ingénuos... um Verão Quente próprio de loucos e uma descolonização que não lembra o Diabo... aliás, o Diabo ficaria ofendido por ser associado àquilo...), o saldo é francamente positivo.
33 Anos são suficientes para uma maturidade, para uma consolidação dos princípios e das gentes. E chegam perfeitamente para sarar feridas do passado. Os adágios comunistas associados a esta data perderam sentido, pelo que talvez comece a chegar a hora de parar com eles... Mas não: vamos continuar a ouvir "Avante Camarada" e outros que tais.
Se for esse o preço a pagar pela democracia, estou disposto a ouvi-los. Mas se pudessem parar... a malta agradecia!

Serviço Público de Radiodifusão

Descobri hoje uma nova valência do serviço público de radiodifusão. Trata-se, sem sombra de dúvidas de uma excelente ideia de proveito fabuloso para quem quer trabalhar, descansar, relaxar ou simplesmente pensar.
No site da Antena 2 aparece um link para a "Rádio Mozart". Esta estação de rádio, de funcionamento exclusivamente on-line, tem na sua programação exclusiva a obra do génio de Mozart, embora com uma programação variada, entre óperas, missas e sinfonias. E tudo isto sem publicidade mas apenas com algumas locuções explicativas entre as peças.
Os meus sinceros parabéns à Administração da RTP e Direcção da RDP pela ideia. Que dure muitos anos.

Briosa!

Quase que deu para meio suspiro de alívio... A Briosa fez o que devia em Aveiro e conseguiu os 3 pontos. Agora o Braga desiludiu ao não ter feito mais que um empate com o Setúbal. Espero que o Braga faça exactamente o mesmo quando vier a Coimbra no próximo fim-de-semana. Uma vitória sobre o Braga, se os outros 3 aflitos perdessem, assegurava a manutenção. Depois a Briosa já podia perder com o Sporting e com o Benfica...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vitória de Portas

Sem nenhuma surpresa, Paulo Portas reassume a liderança do CDS. Oxalá tenha o pulso para voltar a unir o partido e se lembre que este é uma força política eminentemente ideológica, democrata cristã, liberal na economia e conservadora nos princípios.
A corrida desmesurada para os votos pode ter como efeito uma descaracterização do partido, fazendo-o coincidir com o PSD.
Pegando no slogan de Ribeiro e Castro (melhor que Portas no conteúdo, indiscutivelmente), fico com um suspiro de confiança: Eu acredito!

sábado, 21 de abril de 2007

Sarau de Gala da Queima das Fitas 2007

Um escândalo é o que se vê na organização actual da Queima da Fitas. Parece uma conduta orientada em matar o que há de mais tradicional na Queima das Fitas. Para quem não sabe, pasme: o Sarau de Gala da Queima das Fitas este ano (a ter lugar no próximo dia 4 de Maio) não se realizará no Teatro Académico de Gil Vicente mas sim no Jardim da Sereia, em tenda montada para o efeito (?!?!?!?!).
Primeira baixa: A orquestra da Tuna Académica da Universidade de Coimbra já informou que não participará. Próximas? Não sei. Mas se eu mandasse, o Coro Misto não participava, bem como me parece que o Orfeon Académico não deve participar.
No fundo, transformar-se-á o Sarau de Gala numa confusão, num encontro de tunas onde a parte da "Gala" vai ser completamente posta de lado. Em vez de se mostrar a cultura universitária à cidade vai acontecer uma espécie de noites do parque mas com as tunas de Coimbra a cantar. Não há as mínimas condições para ouvir coros ou orquestras num Jardim situado no centro da cidade.
Mas mais do que isto, choca outra coisa: não se mexe em tradições centenárias. É daquelas coisas que não se faz.
Qualquer dia faz-se a garraiada em Santarém porque tem praças de touros melhores ou o Cortejo na Mealhada porque há sandes de Leitão. E as noites do parque podem passar para a Lousã. O Baile de Gala muda-se para Penacova e o Chá Dançante para Viseu. A Serenata Monumental pode antes ser no Centro Comercial Dolce Vita e a récita dos quintanistas muda-se para Tentúgal. E a queima do grelo pode ser feita em micro-ondas em vez de usar o penico.
Simplesmente não se faz. O Sarau de Gala é no Teatro Académico e isso não se muda.
É a primeira vez que sou forçado a ser velho do Restelo e dizer: "No meu tempo é que era. Agora estragam tudo e não respeitam a mínima tradição". Cartão Vermelho para a organização da Queima das Fitas 2007.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Até que enfim!

Custou mas foi. E já a partir de 22 de Abril. A CP criou finalmente ligações directas em Alfa Pendular entre o Porto e o Algarve, sem o ilógico transbordo na estação do Oriente. Reafirmar-se-á, cada vez mais, como o meu meio de transporte preferido nas viagens nacionais.
Melhores são ainda as notícias que a renovação da Linha do Norte tem permitido. A viagem entre o Oriente e Campanhã demora agora 2:35, com direito a esticar as pernas, a dormir, trabalhar e comer. No que a mim me diz respeito, ainda me parece uma melhor notícia: a distância entre Coimbra-B e o Oriente foi agora reduzida para 1:35.
Parabéns às ferrovias que dão um sinal de modernidade e competitividade.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O crime de negligência médica

Sempre fui contra a previsão normativa do crime de negligência médica. Acho um disparate tremendo: em todas as profissões se pode falhar. Se eu falhar na minha, no máximo incorro em responsabilidade civil e serei obrigado a indemnizar devidamente o lesado.
Ora, se a minha profissão for a mais nobre de todas (salvar vidas), o facto de eu errar, por distracção, por cansaço, porque quer que seja, não me obriga apenas a indemnizar: também vou para a prisão.
Não está certo, não é justo, não faz sentido. Não passa peça cabeça de ninguém que um médico exerça a sua profissão no sentido de prejudicar os doentes. E se erra, os doentes morrem não pela acção do médico mas pela doença. Esta é que mata, não o médico.
Lembrei-me disso porque fiquei hoje chocado com a notícia da manhã: um médico vai hoje a tribunal acusado de homicídio negligente de um feto num parto, tendo resultado na morte do feto.
Acho isto profundamente ridículo.
Para abortar não é vida. Mas se for para punir um médico que fez tudo o que podia e que pode ter errado, aí sim. Vamos mandar o médico para a prisão.
Ah País....

Alguém percebeu?

Alguém percebeu a conferência de imprensa da UnI? Se sim, por favor expliquem-me. Eu só vi um elogio ao Primeiro-Ministro, coisa que nada tinha a ver com a Universidade...

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Se a UNI não fecha é um escândalo.

Recapitulemos:
1. Conferência de Imprensa: A UNI marca para ontem uma conferência de imprensa para esclarecer o passado académico de José Sócrates onde promete revelações bombásticas.

2. Afinal vamos adiar: É que é melhor ser só na quarta-ferira...

3. Revelações Bombásticas? Parece que não. Afinal não há revelações bombásticas nenhumas! Ficamos baralhados, não? O que terá acontecido para que a UNI se tenha esquecido que tinha declarações bombásticas??

Se a UNI não fecha é um escândalo. E os escândalos acabam sempre por estalar. Mais valia Sócrates contar a história toda sem mentir, pedir desculpa, demitir-se arrependido e submeter-se outra vez a eleições. Tinha uma Maioria absoluta maior que a actual.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Foi hoje, pela manhã.

Saíu hoje a vontade expressa pelo Povo soberano.
Aborto livre para todas! É só querer, para a menina e... para a menina.
Agora só falta mesmo o direito do homem em não ser pai. Estamos a falar no princípio da igualdade.
Para o ano é livre até às 12 semanas. O BE já está a falar nisso...

A conferência de imprensa...

Chegará hoje mais um episódio da novela "A licenciatura de Sócrates". Já estou a imaginar a apresentação. O título escrito na areia, depois vem uma onda e apaga. Do melhor das produções nacionais.
Adiante: hoje parece que a Universidade Independente vai esclarecer tudo, prometendo desde já "revelações bombásticas".
Desculpem mas agora é que me cheira mal.
Se a UNI podia clarificar desde o início, porque é que só o faz agora? Das duas uma: ou vai fazer declarações inverdadeiras como vingança pelo encerramento ou escondeu tais informações durante todo este tempo como forma de pressionar o Governo na decisão a tomar sobre o seu futuro.
Vejamos o que daqui sai. Diz que é ao fim da tarde... E diz que Sócrates não quer ir...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Estão mesmo a dar a machadada final no Herman José.

Não consigo atribuir a conduta da SIC a outra coisa. É que, ao contrário do que Herman José nos habituou nos últimos tempos, Herman José tem mesmo piada neste programa. Há personagens deliciosas, como a Tia Chica (comentadora política), a sindicalista que se vê obrigada a piorar as condições de trabalho para poder reivindicar coisas ou o Camara-Man maricas que tem a preocupação de afirmar aos 4 ventos que é muito homem.
Ora, a SIC passa o programa à meia noite (?!?)... para quê? Quanto a mim para ter a certeza que as audiências descem de tal forma que há maneira de rescindir o contrato com ele.
Tenho pena. No fundo, vemos neste programa algum do brilho que fez do Herman quem ele é e que estava esquecido desde o Tal Canal, o Humor de Perdição, o Casino Royal ou o Herman Enciclopédia.

sábado, 14 de abril de 2007

E não é que... há mais por explicar??

Mistério dos mistérios. O Diploma que Sócrates entregou na Câmara Municipal da Covilhã, datado de 96 (anterior àquele do célebre Domingo), que tem notas diferentes, umas piores e outras melhores do que aquele que ele apresentou na RTP, também tem coisas para explicar.
É que, emitido em 1996, apresenta um código postal que à data não existia (usa 7 dígitos, que foram iniciados em 1998) e um número de telefone que só viria a existir 3 anos mais tarde (usa o indicativo "21", que foi criado a 31 de Outubro de 1999)...

Fantástico, não?

Afinal há mais por explicar...

Quando parecia já tudo esclarecido, parece que a atribulada vida académica de Sócrates tem mais surpresas... Hoje os jornais são ricos em novos dados.

1. Dois diplomas para o mesmo curso??? Sua Excelência, o Primeiro-Ministro, tem dois diplomas diferentes para o mesmo curso. Um, passado em Agosto, a uma quarta-feira, que ele entregou na Câmara da Covilhã; outro, emitido em Setembro, no célebre domingo, que mostrou na RTP e tem utilizado como bom.
Quando vi a notícia, pensei que fosse verdadeiramente maldosa. De facto, eu também tenho dois certificados de licenciatura: um que pedi quando acabei o curso em Junho, o outro quando fiz melhoria de notas, porque tinha uma média melhor.
Mas não. O diploma novo é estranhíssimo. Algumas notas são melhores mas outras são muito piores! Em um mês nenhuma nota está igual, tendo umas sido subidas e outras descidas. Bizarro, não?
Mas ainda há mais: no primeiro certificado de licenciatura, aparecem como concluídas na UNI cadeiras que parecem ter sido feitas no ISEC ou no ISEL, que foram rapidamente apagadas no segundo. Mas porquê? Como se explica isto?
Não estou a insinuar nada, mas gostava MUITO de perceber...

2. A saga na Universidade Lusíada: Sócrates garantiu na RTP que nunca tinha frequentado qualquer outra universidade privada que não a independente. Pois é, pelos vistos esqueceu-se que esteve 3 anos na Lusíada inscrito em Direito sem que tivesse feito qualquer cadeira.
Porque escondeu esta informação?

3. Arouca não era reitor: Quem aprovou o tal plano especial de equivalências sem que, como dispunha a lei, fosse apresentado qualquer prova das cadeiras feitas no ISEL foi Luís Arouca, assinalado como Reitor da UNI. Ora, afinal Arouca não era Reitor, sendo que o Reitor à época se escusa a explicar porque não foi ele (como manda a lei) a aprovar o plano de equivalências...

Mais dúvidas, só dúvidas....

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O que ficou por explicar.

Pelo que vi ontem na SIC, a entrevista do Primeiro-Ministro foi muito convincente e agradou à generalidade dos que votaram no estudo de opinião. Ainda bem para o Governo. É bom saber que a sua propaganda continua a funcionar e que o Povo soberano ficou esclarecido.
Mas eu, individualmente considerado, não fiquei. Nada. Claro que não ajuda nada que os esclarecimentos tenham sido prestados numa televisão de que Sócrates é o patrão nem que as perguntas a ser formuladas tenham assumidamente sido ditadas pelo entrevistado... Mostra sobretudo que há ali qualquer coisa a esconder.
Mas adiante. Tomando por bom jornalismo o prestado pela estação pública e esquecendo que o discurso decorado transmite insegurança que não se justifica, ficaram questões por esclarecer, a saber:

1. O tempo da entrevista: Peço desculpa mas não cabe na cabeça de ninguém que alguém, perante acusações tão graves, esteja 20 dias sem se defender de uma calúnia do tipo. A desculpa do PM foi esfarrapada, fácil, encontrada à última da hora. Perante acusações como as que saíram no Público, não é crível que, sendo caluniosas, o PM não se defendesse imediatamente.

2. Versão Anterior: Porque razão disse Sócrates que não se lembrava quem tinha sido o prof. das 4 cadeiras (80% do que fez da UNI) ? Como é possível alguém nao saber quem foi o professor de 4 cadeiras do ensino superior? Qualquer pessoa que tenha passado pela faculdade sabe de cor e salteado o nome de todos os professores que aí teve. Ora, se um professor tiver leccionado 80% do curso, não me parece plausível que Sócrates não se lembrasse de quem era.

3. Pós-Graduação em Engenharia Sanitária: Porque razão não se falou na célebre pós-graduação em engenharia sanitária que, afinal, foi um curso de 4 dias?

4- Porque razão mudou em 92 a sua biografia no Parlamento quando nao era ainda licenciado?

5 - Porque é que mandava Faxes do gabinete oficial, cujo conteúdo revelava intimidade com o professor (que não se lembrava quem era...)?

6- Se a UNI funcionava aos domingos, porque é que o diploma do PM é o único que foi passado a um domingo?

7- Porque é que o professor das cadeiras (quase) todas integrou os governos de Sócrates?

8- Mudou para a UNI porque tinha prestígio (?!?) e horário pós-laboral... Sr. PM, garanto-lhe que o ISEL tem mais prestígio e também tem horário pós-laboral.

9- Como explicar as relações entre a UNI e o PS, nomeadamente quando o Sr. Armando Vara acaba o curso na UNI e 3 dias depois é convidado para administrador da CGD?

10- Alguém pode achar normal que haja uma turma especial, um plano de equivalências diferente do que manda a lei?

11- Alguém acha normal que o Reitor da UNI leccione inglês técnico, em vez do professor da cadeira?


Mas há mais. Também me incomoda outra dúvida. No programa de quarta-feira, o director do Público relatou que tinha as informações divulgadas há já dois anos. Se as tinha há 2 anos, porque só agora as divulgou?

Não sou nenhum anjinho, e também sei ver que a Sonae, proprietária do Público, ficou agastada com o voto da CGD relativamente à OPA. O Governo agiu contra a Sonae e isso pode ter motivado a publicação das notícias.
O que é quase tão grave como o PM ter comprado um curso ou se ter feito passar por algo que não era...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

O sentido democrático do PCP

Hoje é o último dia de Odete Santos como deputada, já que o Comité Central decidiu o seu afastamento. O que me choca nisto tudo é a justificação dada pelo PCP para forçar Odete Santos a deixar o seu lugar.
Se o PCP se justificasse numa incapacidade da senhora em continuar a assegurar as suas funções (é notório que esta já não tem as mesmas faculdades de há 20 anos), nenhuma objecção teria. Mas o que choca é que o partido justifica esta posição na necessidade de "dar lugar aos mais novos", e assim proceder a uma renovação.
Ora essa. Então onde ficam os eleitores? Que eu saiba, foi Odete Santos que foi eleita, por estar em lugar de destaque na lista. Foi por Odete Santos que muitos cidadãos resolveram depositar o seu voto na CDU. Nessa altura, não pensou o Comité Central na renovação interna.
Mais uma vez fica claro. O PCP tem uma noção muito estranha de democracia. É daquelas democracias em que a parte do poder do povo não interessa muito. O que interessa é o partido.

quinta-feira, 29 de março de 2007

O início da derrocada final?

Maria José Nogueira Pinto decidiu deixar o CDS. Com Lobo Xavier, foi sempre uma das personalidades que mais me atraíram naquele partido, pela sua postura irrepreensível, digna, inteligente e amável. Uma Senhora dotada de uma acutilância política invejável e que não tem medo de assumir as suas convicções. Aconselho vivamente a leitura da entrevista que Maria José Nogueira Pinto deu à Visão e onde dá a conhecer um pouco da sua vida.

É um dia triste para a política portuguesa, pois Maria José Nogueira Pinto faz falta. E é um dia mais triste ainda para o CDS, pois esta saída pode ter como efeito o fim do partido.

quarta-feira, 14 de março de 2007

PSD - O Regresso ao populismo.

Estou atónito com a proposta de Marques Mendes de baixar os impostos. Ridícula, infundada, disparatada e populista. Ou até, como lhe chamou Manuela Ferreira Leite, irresponsável.
Mas será que Marques Mendes não entende que não é com propostas populistas que ganha credibilidade? Não há ninguém que lhe ensine?
Ou algo muda rápido no PSD ou parece-me que o partido é engolido pelo CDS de Portas...

sábado, 10 de março de 2007

A Grande Entrevista de Ribeiro e Castro

Gostei. Foi genuíno e foi a cara de um "bom" CDS, mostrando as ideias que fazem do CDS um partido político diferente. Foi moderado e contido nos ataques a Portas. Foi sincero e honesto quando apreciou a situação do partido. Foi consequente quando analisou a situação do partido e demonstrou com clareza o que aconteceu na ligação entre a direcção do CDS e o seu grupo parlamentar. Admitiu os erros e mostrou humildade.
Aliás, a entrevista, do ponto de vista do conteúdo, mostrou um líder melhor do que Portas.
Mas Ribeiro e Castro falha onde sempre falhou e contra isso nada há a fazer: a imagem e o tom. Face a Portas, que tem um discurso pausado, ponderado, acertivo e sem medo, Ribeiro e Castro deixa que o conteúdo do seu discurso, que é melhor que o de Portas, se perca numa forma atabalhoada de falar, no uso de expressões coloquiais, numa imagem menos cuidada.
A Ribeiro e Castro falta um bocadinho da vertente de "político", que Portas tem de sobra. Um político como Portas aliado ao conteúdo das ideias de Ribeiro e Castro seria o presidente que o CDS precisava.
Não sendo possível, parece-me preferível (mas posso vir a mudar de ideias) a presidência de Paulo Portas, que tem o condão de fazer crescer o Partido, evitando assim que, numa crise qualquer que venha a suceder, apareça um Manuel Monteiro qualquer que puxe o CDS para a extrema direita, afastando os verdadeiros centristas.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Incompreensível

Acordo dá à Teixeira Duarte mais de 12,6 milhões pelo abandono da Cidade Judiciária.

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1287780&idCanal=63

quinta-feira, 8 de março de 2007

Decisão livre, informada, ponderada e responsável

As soluções constantes da lei de despenalização do aborto são correctas e equilibradas. Por um lado, ela executa o veredicto do referendo (respeito pela decisão livre da mulher), como não podia deixar de ser. Por outro lado, estabelece mecanismos destinados a asseguarar uma decisão informada, ponderada e responsável, nomeadamente: (i) uma consulta médica prévia, proporcionando toda a informação relevante para uma decisão consciente; (ii) a disponibilização de aconselhamento social e psicológico para quem o desejar, de modo a atender a casos de insegurança ou angústia; (iii) um período de reflexão obrigatório de três dias, para impedir decisões precipitadas; (iv) e um aconselhamento obrigatório posterior de planeamento familiar, de modo a prevenir novas situações de gravidez indesejada.Com esta lei, tem início uma nova era para a liberdade e dignidade das mulheres em Portugal. Que ela seja aprovada no dia 8 de Março só ajuda a sublinhar a sua importância simbólica.
[Publicado por vital moreira] 8.3.07

Acesso das mulheres ao poder começa a ser visível na magistratura judicial

Maria José Morgado, Cândida Almeida, Francisca Van Dunen, Hortênsia Calçada, Laura Leonardo, Maria dos Prazeres Beleza. Seis mulheres no topo da carreira das respectivas magistraturas: as quatro primeiras como magistradas do MP, as duas últimas como juízas no Supremo Tribunal. Uma presença feminina cuja visibilidade na hierarquia começa a fazer jus à maioria de mulheres nos "postos" inferiores e nas faculdades de Direito.

http://dn.sapo.pt/2007/03/08/sociedade/acesso_mulheres_poder_comeca_a_visiv.html
(ainda não é equilibrado mas lá se chegará. Este ano no CEJ somos 84 mulheres e 16 homens.)

quarta-feira, 7 de março de 2007

Voos da CIA - Espanha

Espanha pede a Portugal dados no espaço aéreo ibérico:
As autoridades judiciais espanholas solicitaram a Portugal a disponibilização de todos os dados de voos da CIA que tenham utilizado o espaço aéreo da Península Ibérica, desde 2001.

http://tsf.sapo.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF178386

sábado, 3 de março de 2007

Diamante de Sangue

Depois de alguma resistência, lá fui ver Blood Diamond.
Bom filme. Principalmente, vê-se ali retratado um dos mais impressionantes temas que não tem sido focado: as crianças-soldado e as atrocidades a que são sujeitas.
Além disso, o filme fala do Kimberley Process (cujo link aqui transcrevo ) um esforço de vários países para pôr cobro aos diamantes de sangue. http://www.globalpolicy.org/security/issues/diamond/kimberlindex.htm
Vale a pena ver!

Relembrar, então

Ainda bem!
A dirigente parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, veio garantir que, se a despenalização do aborto vencer no referendo, a lei regulamentadora a aprovar pela AR deverá estabelecer um mecanismo de decisão informada e ponderadapor parte das mulheres que desejem abortar. Só posso saudar esta decisão (que defendi no Programa "Prós e Contras"), esperando que ela venha a ser oficialmente confirmada pela direcção do PS e pelo Primeiro-Ministro. Assim se contraria de forma eficaz a acusação de "aborto a pedido" e de "aborto livre" que os adversários da despenalização têm brandido.
[Publicado por vital moreira] 31.1.07

sexta-feira, 2 de março de 2007

Mas fui só eu quem viu, ouviu e leu?

Mas está tudo com falta de memória? Mas então na campanha ao Aborto não ouvimos vezes sem conta o PS a dizer que a mulher que decidisse abortar só o faria depois de aconselhamento, que não estava na pergunta porque não era o local próprio mas que jamais se admitiria um aborto sem aconselhamento, que a solução razoável era a lei alemã (que até obriga a mulher a ver a ecografia do bebé antes de abortar)?
Sou só eu que me lembro disso?
E quem votou no SIM moderado com estas promessas, não se sente traído??
Há coisas que, de facto, não compreendo. Prometer o aconselhamento para convencer a votar no SIM, sustentando que só não estava na pergunta porque não seria essa a sede própria, para depois aprovar o aborto sem aconselhamento com o argumento que este não estava na pergunta parece-me tudo menos honesto.
Só não vê quem não quer ver. E aposto que mesmo quem votou SIM me dá razão.

A grande entrevista de Paulo Portas

Foi grande. Perante uma Judite Sousa anormalmente agressiva, teve o nível, a classe e a calma a que nos habituou. Foi claro, conciso, consequente, responsável.
Goste-se ou não, é uma personagem que fazia falta na política portuguesa.

OPA sobre a PT

Só lembrar 2 factos importantes:
1.º se a OPA avançar a PT ficará 10 anos sem pagar impostos ao Estado - sendo actualmente um importante contribuinte com milhões;
2.º a OPA acarreterá, inevitalvelmente, despedimentos.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Paulo Portas anuncia hoje a candidatura.

Segundo noticia hoje o Público on line, Paulo Portas vai anunciar esta noite a sua candidatura, propondo a convocação imediata de eleições directas para a liderança do CDS, sem implicar a realização de um congresso extraordinário, em declaração a proferir no Centro Cultural de Belém.

Devo confessar que sou um acérrimo opositor das chamadas directas.

Por um lado, porque retiram interesse aos Congressos que, pelo mediatismo que tinham, dão mais visibilidade ao partido que um milhão de comícios.

Por outro lado, porque sem escolhas do líder em Congresso, o líder deixa de ser eleito pelo partido nacionalmente considerado e passa a ser por uma região do país.
Passo a explicar: toda a gente sabe que o CDS tem apoiantes no Norte do país, sendo muito menor a proporção de filiados no Alentejo e Algarve. Ora, se a eleição for directa, estamos a dar um voto a cada membro do partido: vamos ter uma percentagem enorme da votação para a região norte. O líder é escolhido pelo norte.
Se, pelo contrário, o presidente do partido for eleito em Congresso, a proporção de delegados não tem uma disparidade tão grande: dá-se proporção nacional à escolha do presidente do partido.

Com as directas, que infelizmente passaram a ser a regra desde a revisão estatutária de 2005, o CDS tem propensão a tornar-se um partido de foro regional e não nacional. E quando isso acontecer, perde o seu lugar nos partidos do "arco da governabilidade".

Penso, por isso, que sendo óbvio o regresso de Paulo Portas à liderança do CDS, seria mais proveitoso para o partido que antes da eleição do líder se realizasse um Congresso, com debates acesos entre Ribeiro e Castro e Paulo Portas, directos em todas as televisões, e onde fossem discutidas questões importantes para o partido, como a posição a tomar no seio da Câmara Municipal de Lisboa.

Mas isso sou eu... a ver vamos o que acontece...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Presunção de inocência

OPa, isso da presunção de inocência não interessa para nada.
Há-que fazer justiça é nos jornais...
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=23912

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Penas e prisões

Acabo de ver no programa "60 minutos", que passa na SIC Notícias, uma reportagem chocante:
parece que nas prisões do Michigan os doentes mentais condenados a penas de prisão de 3 e 5 anos cumprem, afinal, penas de morte, que nenhum Tribunal lhes decretou.
Exactamente.
Refiro-me a Timothy Souders, que não sendo o primeiro, foi o último a morrer ali.
A reportagem mostra, através de uma câmara de vídeo obrigatória segundo os regulamentos da prisão, um rapaz de 21 anos que tinha uma doença mental e que passou vários dias acorrentado nas mãos e nos pés mais de 17 horas, à fome e à sede.
A câmara registou como, no dia 6 de Agosto, morreu de sede.
http://www.cbsnews.com/stories/2007/02/08/60minutes/main2448074.shtml

sábado, 24 de fevereiro de 2007

O último Rei da Escócia

Ora, aqui está um bom filme e uma magnífica interpretação de Forest Whitaker.
Do ponto de vista do conteúdo admito que o filme podia ter ido mais longe e explorado, aquilo que apenas indicia: o contributo dos ingleses para a chegada ao poder de Idi Amin (um homem que começou a limpar latrinas no exército) e as atrocidades humanitárias que cometeu.
Mas ainda assim, é impossível não sair da sala impressionado com a história daquele país africano e que se aplica a uma série de outros.
Além disso, é soberba a interpretação do actor Forest Whitaker naquele papel e só por si, justifica plenamente o filme.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

A entrevista do PGR

A entrevista do procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, na 4ªf à Judite de Sousa, revelou essencialmente duas coisas:
i) há um novo estilo na PGR - um estilo franco e transparente, que chegou até à identificação dos procuradores afectos a certos inquéritos, não se furtando a responder a perguntas desinteressantes e de "furo" jornalístico, sem nenhum esforço;
ii) o PGR é um pacificador. Não lançou suspeições, não deixou coisas no ar, acalmou os que acham que o MP está sem rei nem roque e que alegam que "está tudo sob escuta" e até elogiou o Governo (sendo certo que, como o próprio disse, sendo um juiz conselheiro, basta que lhe apteça para regressar ao STJ).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

O regresso...

Noticia hoje o Correio da Manhã que Paulo Portas deverá anunciar esta semana a sua candidatura à presidência do CDS.
Fico obviamente feliz, pois Ribeiro e Castro prometeu muito mas foi saltitando de derrota em derrota sem as assumir (autárquicas e referendo) e quando foi vitorioso (presidenciais) nem ele próprio reparou.
Com o mau momento do PSD, o CDS terá agora a oportunidade de voltar à governabilidade, sendo muito provável uma coligação com Sócrates a partir de 2009.
Se se concretizar, auguro grandes resultados para um Governo PS-CDS: terá força para concretizar as coerentes políticas que o Governo vem estabelecendo e será o elemento que erradicará os laivos ocasionais a que o PS não tem resistido para ir piscando o olho à extrema esquerda, que só prejudicam o país.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Solidão...

Desculpem lá ser monotemático, mas começo a sentir-me solitário neste blogue. A ideia não era ser um local de debate? Isto começa a lembrar-me um congresso do PCP: um monólogo...

Primeira consequência visível da revisão constitucional de 2004

Sempre achei que, do ponto de vista teórico, a revisão constitucional de 2004 foi um erro, pois caminha para a instituição de Portugal como Estado Federal, abandonando progressivamente o Princípio do Estado Unitário.
Entre vários disparates (a que o PS e o PSD não conseguiram resistir, piscando o olho às Regiões Autónomas de que são governo regional), encontra-se a extinção dos Ministros da República, representantes do Governo da República nas Regiões Autónomas, cujas competências já eram reduzidas desde a revisão de 1997.
Reduzidas mas importantes. É certo que já não era o Ministro da República quem tutelava os serviços da Administração Central; é certo que este já não tinha qualquer poder de direcção política e administrativa nas Regiões, o que era uma solução correcta. A autonomia deve existir para aproximar os centros de decisão dos cidadãos que pagam o preço da insularidade.
Mas também é certo que era ali feito um elo de ligação e de coordenação entre Governo da República e governos regionais.

Extintos os Ministros da República, foram criados os Representantes da República que dependem exclusivamente do Presidente da República: já não se trata de representantes do Governo mas sim do Estado, junto das regiões.
Já a ideia me repugna. Então as regiões não são Estado? Precisam de um representante do Estado? Não faz sentido.
Mas menos sentido faz quando se percebe que não têm qualquer papel. É uma figura esvaziada de funções, cujo único poder é promulgar ou vetar os decretos legislativos regionais. Sinceramente, só para isto, mais valia conferir directamente ao Presidente da República este poder (já que os decretos legislativos são actos legislativos de valor igual às Leis e Decretos-Leis, podendo derrogá-los com efeitos às Regiões Autónomas, desde que versem sobre matérias previstas nos Estatutos Político-Administrativos das Regiões) e acabar com a figura.

E hoje temos a primeira consequência prática deste esvaziamento.
Demitido o governo regional da Madeira, este entra em funções de mera gestão até nomeação de novo governo. Tem os seus poderes limitados, não podendo assegurar devidamente o interesse da Região.
Na versão anterior à revisão de 2004, o governo demitido cessava imediatamente as suas funções, sendo as suas competências assumidas pelo Ministro da República.
Era uma solução que tinha toda a lógica, pois o Ministro da República tinha a legitimidade necessária, uma vez que integrava um Governo democraticamente eleito também pelos cidadãos das regiões autónomas com poderes para governar. Evitava-se o período de governo de gestão que traz sempre consequências negativas.

Hoje, o Representante da República nada pode fazer. Nem sequer é claro que é este quem tenha de demitir o governo regional (competência que antes cabia ao Ministro da República), entendendo-se que deve ser o próprio Presidente da República a fazê-lo.

Irracionalidades de uma revisão constitucional que, ao invés de lutar pelo bem da República, propugnou por mais uns votos à esquerda e à direita.
Estou para ver se em 2011, com a próxima revisão, não se abandona mesmo o princípio do Estado Unitário e se põem as regiões a aprovar o seu próprio Estatuto Político-Administrativo, criando-se a "Federação Portuguesa"...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Demissão do Governo Regional da Madeira

Parece que hoje à noite Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira, vai apresentar a demissão e convocar assim eleições antecipadas.
Motivo? A promulgação da Lei das Finanças Regionais que, penalizando fortemente a Região Autónoma da Madeira face aos Açores, alegadamente não permite a execução do programa eleitoral sufragado pelos madeirenses. Assim, será dada de novo a voz ao povo soberano que decidirá quem quer ver à frente dos destinos da região.
A decisão é de enorme inteligência política.
As eleições, onde previsivelmente o PSD sairá mais uma vez esmagadoramente vencedor, renovam a legitimidade de Alberto João Jardim, dando-lhe novos argumentos para a luta institucional que criou com o Governo da República e com o Presidente da República.
Por outro lado, aproveita a má imagem do Governo da República na Região para aniquilar o PS Madeira, o qual será dizimado nas eleições regionais.
Por último, baralha as contas à oposição (interna e externa) pois ninguém esperava eleições agora.

Pessoalmente, estou dividido quanto ao que pensar. Se por um lado me parece que é uma prorrogação do consulado de Alberto João Jardim, personagem que não aprecio como Presidente de um Governo Regional, por outro também me parece que é a forma indicada para que os madeirenses expressem ao Governo da República o que pensam sobre a discriminação a que são sujeitos face à região socialista dos Açores.

Agora, ninguém me tira a ideia que deveria ser o Tribunal Constitucional a travar a lei e não um ajuntamento popular, ainda que sob a forma de eleições antecipadas... As instituições são para isso mesmo...

Mas isso sou eu que sou um cripto-fascista...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Detesto ter sempre razão...

Começou... Eu bem dizia...

"Aborto: líder parlamentar do PS diz que não haverá aconselhamento obrigatório

O líder parlamentar socialista, Alberto Martins, afirmou hoje que não haverá aconselhamento obrigatório na lei para as mulheres que queiram abortar até às dez semanas, porque isso seria uma imposição “à revelia” do resultado do referendo.

“Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular”, frisou o líder parlamentar socialista."

Público On-Line, 14.02.2007, 15:34.

PE aprova relatório que denuncia actividades ilegais da CIA

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=262885

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O Povo decidiu.

Foi dada a voz ao Povo soberano e este expressou a ética social a que o Direito está adstrito. E o Povo decidiu que a vida do embrião até às 10 semanas não é merecedora de tutela.
Não posso fazer mais nada para além de respeitar a decisão. No fundo, a vida até às 10 semanas de gestação não é um bem jurídico socialmente tido como protegível. E o direito só serve para proteger os valores que a sociedade entende como tal.
A sociedade entendeu ainda que é direito da mulher, desde que o exerça até às 10 semanas de gravidez, não ser mãe.

Agora começa a minha luta. Entendo que o Pai deve ter exactamente o mesmo direito. Deve, desde que o diga até às 10 semanas de gravidez, ter o direito a não ser pai.
Uma vez exercido, uma de duas hipóteses: ou um aborto a pedido do pai, ou a admissibilidade de uma não perfilhação da criança.

A meu ver, e digo-o sem ironia, o princípio da igualdade exige-o.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

As vidas dos outros

Para me redimir da semana passada, desta vez o escolhido foi o filme alemão "As vidas dos outros", nomeado para os óscares na categoria de melhor filme estrangeiro.
Sobre a vida na Alemanha uns anos antes da queda do muro. Muito bom.
Fez-me lembrar que esta coisa dos direitos fundamentais, designadamente, da reserva da vida privada e da intimidade é realmente uma coisa muito recente, que está longe de podermos dar por garantida.
http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=163059

Imagens



O jornal "SOl" tem neste link ( http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Galeria.aspx?content_id=22411 ) algumas das fotografias do Word Press Photo 2006.
Aqui fica uma delas.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Mais bons ventos de Espanha

Desclassificados a pedido de um juiz:
Espanha entrega ao tribunal documentos secretos sobre voos da CIA
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285248&idCanal=16

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Ainda a corrupção e os bons ventos de Espanha

Importante entrevista publicada hoje, no DN, do procurador-geral espanhol, Cándido Conde-Pumpido sobre a corrupção e o modelo do MP espanhol (elogiando a opção constitucional portuguesa):

http://dn.sapo.pt/2007/02/09/sociedade/nao_combate_a_corrupcao_procuradores.html

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Corrupção no poder local

Esta semana, a edição do Courrier é dedicada ao tema da corrupção do poder local.
Como ali se diz De marbella a Pequim, de Ribeirão Bonito, no Brasil, a Miyasaki, no Japão, a corrupção autárquica é um flagelo comum.
Nas primeiras páginas estão uns excertos do El País que nos conta como um grupo de juízes e procuradores espanhois que fogem ao estrelato investiga os grandes escândalos urbanísticos.
Aí se conta como juizes e procuradores, novos e outros com muita expriência, de diferentes background's sócio-políticos, têm dirigido investigações de sucesso no combate a este flagelo "sem vítima".
De Espanha, sopram bons ventos...

Um outro "NÃO".

Vera Raposo, assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, assume-se como feminista. A sua tese de mestrado intitula-se O Poder de Eva: O Princípio da Igualdade no Âmbito dos Direitos Políticos; Problemas Suscitados pela Discriminação Positiva, Editora Almedina, Coimbra, 2004.


São outras razões para um mesmo NÃO que aqui deixo.

Nasci mulher. O que, mais do que uma condição biológica é, acima de tudo, uma condição social e jurídica. E nunca consegui ser condescendente com aqueles que invocam os meus dois genes “x” como argumento para me impedir de desempenhar papéis que aos homens são admitidos.


Por isso não surpreende que os meus primeiros passos no mundo académico tenham sido dados no campo dos direitos das mulheres. Não foi fácil. Ser apelidada de “feminista” ainda hoje transporta consigo máculas mais ou menos óbvias. E apresentar uma tese de mestrado sobre direitos das mulheres também não é o caminho mais sensato quando se pretende singrar na vida académica.

Mas o princípio básico de que sou tão válida quanto qualquer homem – tão arguta nas discussões politicas, tão carniceira numa hipotética guerra e tão capaz para qualquer desafio da sociedade actual – constituía razão suficientemente importante para me fazer levar à minha avante. Foi assim que a Eva (O Poder de Eva: O Princípio da Igualdade no Âmbito dos Direitos Políticos; Problemas Suscitados pela Discriminação Positiva, Editora Almedina, Coimbra, 2004) me revelou publicamente como aberta defensora da igualdade entre géneros.
Mesmo quando os meus passos se encaminharam para outros campos de investigação, uma vez mais foi por mão dos direitos das mulheres que tal sucedeu. O primeiro estudo que efectuei na área do direito biomédico abordava uma questão mais próxima às mulheres do que aos homens: a maternidade de substituição (De Mãe para Mãe: Questões Éticas e Legais Suscitadas pela Maternidade de Substituição, Publicação do Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, n.º 5, Coimbra Editora, Coimbra, 2005). Este foi o ponto de partida para posteriores investigações sobre técnicas reprodutivas, dação de gâmetas, embriões in vitro e outros temas atinentes aos direitos reprodutivos.

Assim cheguei aos embriões e à interrupção voluntária da gravidez. Não que alguma vez tenha escrito exactamente sobre isso. Procurei sempre passar ao lado desta vexata quaestio porque tenho para mim que todos os argumentos já foram aduzidos e apenas se trata agora de tomar uma posição. Mas a verdade é que parece que chegou o momento de assumir publicamente essa posição e assim vejo-me na contingência de – e parece que para surpresa de muitos – manifestar a minha resposta ao referendo que se aproxima: Não.

Quero deixar bem claro que esta asserção não repousa em qualquer tipo de convicção religiosa. Existem obviamente considerações éticas – e porque não dizer morais e religiosas? – a fundamentar qualquer posição que se tome quanto ao aborto. Confesso até que durante muito tempo defendi que, sendo exactamente uma questão moral, deveria ser deixada à consciência de cada um. Conquanto a minha consciência me impedisse, em via de princípio, de pôr fim a uma gravidez desse modo (e estou consciente de que afirmo isto porque efectivamente nunca me encontrei perante tal dilema e, mesmo que tal sucedesse, a vida colocou-me numa posição bem mais confortável do que a maioria das minha congéneres), acreditava que não dispunha de legitimidade para impor esta opção às outras mulheres. Contudo, cheguei à conclusão que os meus argumentos são mais do que meras concepções morais, porque os entendo como raciocínios lógicos e racionais, fundados em ideias de justiça que escapam ao mero arbítrio pessoal. Por conseguinte, são suficientemente ponderosos para proibir esta prática a qualquer pessoa, do mesmo modo que lhe é proibido cometer qualquer outro crime.

Queria poupar-vos ao fraseado jurídico, mas não consigo evitar tecer algumas considerações, até porque, em ultima instância, são argumentos jurídicos que sustentam a minha posição.

Antes de mais, cabe esclarecer que não concebo o embrião como uma pessoa humana, titular de direitos fundamentais. Que sou incapaz de atribuir direitos ao embrião, e que considero que a morte de um embrião, ou mesmo de um feto, nunca poderá ter o mesmo desvalor que a morte de um ser humano já nascido. Que sou completamente apologista da investigação operada em embriões excedentários e da extracção de células estaminais. Que sou partidária da chamada “pílula do dia seguinte” e da sua venda livre.

Mas, não obstante o que ficou dito, penso que a interrupção da gravidez, bem como qualquer outra prática que tenha lugar sobre o embrião após a nidação, deve ser interdita. O processo de nidação completa-se cerda de 12/13 dias após a fecundação e consiste no alojamento do embrião nas paredes do útero. Nesse momento o embrião adquire consistência vivencial, pois passa a reunir em si duas características imprescindíveis para o reconhecermos como uma entidade autónoma: a unidade (ser insusceptível de divisão) e a unicidade (ser único e irrepetível). É também por volta desta altura que surge a linha primitiva e se desenha o sistema nervoso central, do futuro cérebro e da espinal-medula. Por outro lado, antes da nidação a sua existência é tremendamente precária. O destino de muitos dos produtos da fecundação (seguramente mais de metade) será um abortamento natural, acabando por ser expelidos pelo corpo materno com o fluxo menstrual, sem que a própria mulher se aperceba da sua gravidez. Em contrapartida, após a nidação a expectativa daquele ser humano potencial vir a tornar-se actual torna-se uma expectativa credível.

Não que a vida humana se inicie com a nidação. Tenho para mim que existe vida humana a partir do momento da fecundação. Simplesmente, uma vida humana em devir, em progressão, cuja protecção se tornará progressivamente mais forte à medida que nos aproximamos do nascimento e da formação da pessoa humana. Pois afirmar a existência da vida humana, e consequentemente de um ser humano, enquanto realidade eminentemente biológica, é distinto de afirmar a existência de uma pessoa humana, a qual representa antes uma realidade social, jurídica e moral.

Creio que a tutela concedida a essa vida humana em formação começa com a fertilização, concedendo-lhe aí um mínimo de protecção, inerente a todas as formas de vida humana, protecção essa que se vai adensado à medida que o embrião caminha em direcção à pessoalidade. Nos referidos 12/13 primeiros dias de vida a sua existência poderá ter de ceder face a outros interesses que se considerem superiormente relevantes, mormente o interesse da mãe (no caso dos embriões in uteru) ou o interesse da ciência no bem-estar da humanidade (se atendermos aos embriões in vitro, se bem que a investigação embrionária apenas poderá ter por objecto embriões supra-numerários, cujo único destino possível seria a destruição, ou seja, após esgotar qualquer possibilidade de gestação e nascimento).

Encontro no actual sistema jurídico português a base sustentável para esta concepção. Desde logo, no plano do direito civil, o art. 66.º/1 CC faz depender a aquisição da personalidade jurídica do nascimento completo e com vida, sem contudo se olvidar que outras normas atribuem ao nascituro uma posição jurídica em sede de sucessões e doações (arts. 952.º e 2033.º CC), conquanto depende do efectivo nascimento (art. 66.º/1 CC). Logo, o embrião não é uma pessoa jurídica, mas goza de certo estatuto jurídico, porventura aquilo que vários autores designam de personalidade jurídica parcial e incompleta.

Depois, também no campo do direito criminal é visível a distinção entre o embrião enquanto pessoa humana apenas potencial (por outras palavras, não-pessoa) e a pessoa humana actual. Essa distinção plasma-se na diferenciação dos tipos de crimes correspondentes à destruição de cada uma destas modalidades de vida humana, aos quais foram atribuídas distintas molduras penais, substancialmente mais gravosa no homicídio do que no aborto. Todavia, a circunstância de o Código Penal considerar a destruição do embrião uma conduta violadora de bens jurídicos de especial valor mostra-nos que a sua vida não é desprovida de significado. Este último ponto constituiu o principal foco de discussão do referendo.

Também o direito constitucional se preocupa em diferenciar a vida humana nascida da não nascida. Não é despicienda a afirmação do nosso Tribunal Constitucional segundo a qual a Constituição da República Portuguesa confere ao embrião uma protecção objectiva, mas não subjectiva (Tribunal Constitucional, Acórdão n.º 85/85, de 29 de Maio). Significa isto que o embrião não é titular de direitos fundamentais (mormente, não se poderá falar de um direito à vida do embrião), mas a sua vida – como vida humana que é – represente um valor digno de tutela constitucional.

Claro que a vida do embrião não é um absoluto. Nem sequer a vida da pessoa o é. Pode ceder em várias situação de conflito, e efectivamente o nosso direito criminal prevê vários circunstancialismos em que tal é possível suceder. Defendo que a vida e a saúde da mãe (note-se que aqui mesmo a saúde psíquica, o que sem dúvida abre a porta a possibilidades aparentemente insuspeitas para os defensores da liberalização) prevalecem sobre a vida do embrião (art. 142.º/1/a/b CP). Defendo igualmente que seria insustentável forçar uma mulher a levar a bom termo uma gravidez resultante de uma acto criminoso, pois neste caso o sacrifício se lhe se imporia seria demasiado pesado face ao valor que se pretende proteger (art. 142.º/1/d CP). Assim como também defendo que não tem sentido prolongar uma gravidez que certamente terminará em abortamento espontâneo dadas as anomalias do embrião, ou aquelas que embora culminando no nascimento darão origem a um nado-morto, uma criança com um horizonte de vida temporalmente limitado (dias, meses) ou uma pessoa portadores de gravíssimas deficiências (art. 142.º/1/c CP). Em qualquer destas hipótese se erguem valores de maior peso, face aos quais o valor vida “humana intra-uterina” deve ceder, sobretudo porque nos reportamos a estádios iniciais dessa vida.

Mas, alem destas hipóteses enumeradas na lei, e para além dos prazos legalmente estipulados (sendo que aqui admitiria um ligeiro alargamento da extensão desses prazos) o aniquilamento da uma vida humana, ainda que seja de a vida de uma ainda não-pessoa, deverá ser considerada criminosa. E nem sequer a vã invocação dos direitos das mulheres poderá justificar semelhante conduta, sob pena de, em congruência com tal arrazoado, termos também de ilibar as mulheres de outros crimes, como o homicídio ou a ofensa corporal, invocando para as eximir de responsabilidade unicamente o seu género, que reconhecidamente as coloca em situação de desvantagem social.

Sendo firme defensora dos direitos reprodutivos, custa-me a inserir aqui o direito a abortar, embora esteja ciente de que é esta a prática corrente na doutrina norte-americana, onde tais direitos nasceram. Penso que no que toca ao direito à não-reprodução, o que a lei deve consagrar é o direito de acesso livre a métodos anticoncepcionais, destinados a evitar a fecundação ou mesmo a nidação, mas não o direito a abortar. É que aquele amontoado de células é mais do que “amontoado de células”. É mais do que anexo do corpo da mulher. É um ser humano autónomo, e como ser humano que é não pertence a ninguém, nem sequer à mãe, conquanto dependa dela para sobreviver.

O referendo questiona-nos a propósito da despenalização do aborto nas primeiras dez semanas de gravidez, desde que realizado em centro médico credenciado. Ora, a própria pergunta enferma de vícios, pois despenalizar implica diminuir a pena de uma conduta que permanece criminosa aos olhos da lei, quando o que aqui se pretende é liberalizar por completo o aborto nas primeiras dez semanas. Logo, o que se trata é de uma descriminalização, a expressar que o período inicial da vida humana se degradou a bem de valor não fundamental, pois que lhe foi retirada a chancela jurídico-criminal, apanágio dos mais valiosos bens da nossa existência. O que me deixa incrédula, se pensarmos que um dos dogmas da nossa civilização é precisamente o estatuto da vida humana (qualquer uma, sempre o supus ate ao momento) enquanto o mais fundamental dos bens jurídicos. As especificidades da vida humana intra-uterina não são suficientes para a desclassificar a vida legada por um deus menor.

À parte as aporias terminológicas, resta-nos a questão: deverão ir para a prisão as mulheres que interromperam a sua gravidez fora das circunstâncias enumeradas na lei? Enfim, não acredito que no caso a prisão seja a mais adequada das penas. Insurjo-me desde logo que sejam apenas as mulheres e o pessoal médico envolvido a ser penalizado por esta conduta. Se queremos ser congruentes com a nossa opção, teremos antes de mais que responsabilizar criminalmente o pai daquela criança, que deixou uma mulher e um embrião sozinhos à sua sorte. Contudo, uma vez assente que todos devem ser chamados à responsabilidade, estou alerta para a enorme dificuldade com que em muitos casos nos defrontaríamos para detectar este “culpado”. Mas recordo a extrema complexidade que envolve a descoberta de agentes de outros crimes (desde logo, determinar se o participante num acto sexual se envolveu em sexo consensual ou praticou antes uma violação), sem que isso nos force a tornar tais condutas lícitas.

Permitir que nas primeiras dez semanas a mulher ponha e disponha sobre a vida do embrião representa um retrocesso ético-juridico. Seria a primeira vez – desde os tempos de abolição da escravidão – que se daria a um ser humano o poder de ditar a vida e a morte de outro. E ainda falam em avanço civilizacional…

O respeito devido à mulher não exige, e diria mesmo que não se compadece, com a atribuição do poder de destruir vidas. Mais do que isso, trata-se de uma medida paternalista que, condescendentemente, atribui às mulheres soluções de última instância para actos que – por mais errados que sejam e por mais pesadas que advenham as consequências – devemos avocar, como seres racionais, livres e responsáveis que somos.

Combato pelas mulheres, desde logo porque sou mulher. Mas combato essencialmente pela vida humana, porque acima de tudo sou um ser humano. Dizer NÃO no referendo significa combater por ambos."

Vera Raposo

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Editorial do DN

Voos da CIA,
por Eduardo Dâmaso, no editorial de hoje

A investigação do Ministério Público aos voos da CIA sobre território português transportando prisioneiros que possam ter sido submetidos a tortura é um passo no sentido certo mas tardio. É pena que o Ministério Público só tenha tomado uma iniciativa a reboque do trabalho abnegado e persistente da deputada Ana Gomes e não tenha tomado a iniciativa de avançar para um inquérito.
Essa seria uma boa maneira de nos dizer que a sua essência não é apenas a defesa dos superiores interesses do Estado, seja lá isso o que for, mas que zela de forma activa e autónoma pela saúde do Estado de direito democrático.
A estranha união que esta questão tem criado entre sectores do PS, PSD e CDS só nos pode inquietar na medida em que nos diz que os interesses mais subterrâneos desta convergência estarão relacionados com uma concepção particular daquilo que é o interesse da Nação. Ou seja, defesa tão acirrada da opacidade do Estado e ataque tão descabelado a Ana Gomes e a todos os que expressam as suas preocupações sobre a questão sugerem-nos uma enorme incomodidade política só compreen- sível perante a possibilidade de as sarjetas do poder de Estado guardarem o segredo terrível de um colaboracionismo abjecto com o sequestro e a tortura. Um colaboracionismo com o terrorismo de Estado, essa fórmula salvífica de violação das leis nacionais e internacionais, de aniquilação dos direitos humanos, de consagração da tortura, de varrimento de séculos de lutas por conquistas nos direitos civis para debaixo do tapete, que democratas de ontem e talibãs de hoje defendem como a fórmula acabada de nos livrar a todos do mal islamita.
O desafio colocado a esta investigação do Ministério Público é gigantesco para que ela própria não se transforme no certificado necessário aos defensores da tese de que todos nos devemos vergar perante os superiores interesses do Estado. Por isso, para superar a partida tardia talvez não fosse mau que todos, mas todos, os meios de recolha de prova fossem desencadeados. Das escutas à desclassificação de documentos secretos que seguramente existem nessa condição. E que todos sejam obrigados, nem que seja moralmente, face às responsabilidades políticas que tiveram, a colaborar. Dos primeiros-ministros em funções desde o início da guerra do Iraque aos ministros da Defesa, dos Negócios Estrangeiros, da Administração Interna e da Justiça, acabando nos chefes das polícias, aeronáutica civil e militar, aeroportos e serviços de informações. Se é para investigar, então que se vá até ao fundo. Ao menos uma vez na vida!

Subsídio de Desemprego

O Ministro dos Assuntos Parlamentares garantiu hoje que até ao final do ano vai ser previsto e regulado o subsídio de desemprego para os agentes do Estado com contratos administrativos de provimento, corrigindo a inconstitucionalidade por omissão até agora vigente.
Uf!!!! Até que em fim uma boa notícia! Agora já posso lidar melhor com a notícia seguinte, que deve ser a extinção do cargo de assistente universitário...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Voos da CIA

A eurodeputada Ana Gomes tem aqui uma vitória. O seu trabalho e contributo para a humanidade está feito.
Vejamos agora do que é capaz este MP, que tem pela frente vários desafios e aqui uma possibilidade - caso hajam indícios, obviamente - de manifestar com total plenitude, as novas vestes internacionais e humanitárias, que pode exercer neste mundo globalizado.

http://tsf.sapo.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF177504
(declaração de interesses: a eurodeputada Ana Gomes é minha Tia)

Eu incompetente me confesso - Frei Bento Domingues

Público, Lisboa,28.01.2007

Eu incompetente me confesso para informar como é que isto seria possível, embora saiba que, enquanto ter filhos for um pesadelo, não adianta pensar muito no aumento da natalidade. O sacrifício pelo sacrifício é uma doença. Só o sacrifício que é fruto do amor possível é fonte de coragem. Mas é um exagero pedir às pessoas que desejam filhos viverem em permanente estado de heroicidade. Não adianta queixar-se da cultura hedonista pela falta de generosidade. Quando as empresas e as organizações, através de sofisticada publicidade, incitam aos prazeres mais imediatos e indeferíveis – casas de sonho, carros de sonho, férias de sonho – teremos uma minoria regalada e a maioria acumulando desejos e decepções e adiando sempre, por estas e por outras razões, a altura para ter descendentes.
Mas também incompetente me confesso para desenhar ou sugerir um modelo capaz de configurar uma outra sociedade viável.
2. Eu incompetente me confesso para sustentar que a hierarquia da Igreja fez bem, ao entregar, apenas, às leis da natureza a regulação da natalidade: «A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos são conformes aos critérios objectivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, estimulam a ternura entre eles e favorecem a educação de uma liberdade autêntica. Em contrapartida, é intrinsecamente má qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação» (1).
João Paulo II repetiu até à saciedade esta herança: «As duas dimensões da união conjugal, a unitiva e a procriadora, não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a verdade íntima do próprio acto conjugal. (...) A Igreja ensina a verdade moral acerca da paternidade e da maternidade responsável, defendendo-a das visões e tendências erróneas, hoje, difusas». Está muito consciente de que o Episcopado , em união com o Papa, é acusado de ser insensível à gravidade dos problemas actuais e de perder popularidade e ver os fiéis a afastarem-se cada vez mais da Igreja (2).
Desde 1968, sobretudo por causa desta atitude perante os métodos contraceptivos, ouvimos com frequência um certo tipo de expressões: «sou católico, mas não sou praticante»; «deixei de ser católico ou não posso continuar a dizer-me católico, embora adira aos seus valores»; «Cristo sim, Igreja não». Mas também há muitos que se guiam pela sua própria consciência, que resistem, digam ou não, «nós também somos Igreja».
3. João Paulo II, na encíclica, Evangelho da Vida (nº 73), é peremptório: «O aborto e a eutanásia são crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. (...) Portanto, no caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto e a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela».
Parece-me que um Papa que estivesse de acordo com o aborto ou com a eutanásia devia pedir a sua demissão. No entanto, eu incompetente me confesso para, sob o ponto de vista jurídico, julgar se o Estado tem ou não direito a fazer leis que permitem o aborto.
É saudável, é normal que a Lei de um Estado laico não tenha que estabelecer o que é bem e o que é mal sob o ponto de vista religioso. Não desejaria ver os Estados europeus a adoptarem regimes equivalentes aos da Arábia Saudita ou do Irão: o Estado e a sociedade regidos pela lei ou pela ética religiosas. É por isso que talvez não seja um absurdo perguntar aos cidadãos, como agora, em Portugal, no referendo, se se deve responder "sim" ou "não" à despenalização da interrupção da gravidez, em estabelecimento de saúde, nas primeiras dez semanas, realizado a pedido da mulher. Não se trata de saber quem é e quem não é pelo aborto, neste prazo e nestas condições, mas quem é ou não pela penalização da mulher que aborta neste prazo e nestas condições.
É inevitável a pergunta: dentro das dez semanas, já existe vida humana, ser humano ou pessoa humana? Sobre o que é a vida, sobre o que é vida humana, sobre o que é pessoa, as linguagens do senso comum, das ciências, das filosofias e das religiões não são coincidentes. E, no interior de cada um desses ramos do conhecimento, o debate não está encerrado. Para o Padre Anselmo Borges, professor de Filosofia na Universidade de Coimbra, «a gestação é um processo contínuo até ao nascimento. Há, no entanto, alguns "marcos" que não devem ser ignorados. (...) Antes da décima semana, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção da gravidez levada a cabo nesse período» (3). A embriologia expressa no boneco chinês é uma pura fraude e uma obscenidade.
Parece-me exorbitante ameaçar os católicos, que votem "sim", com a excomunhão. Comparar o aborto ao terrorismo é fazer das mulheres aliadas da Al-Quaeda. A retórica deve ter limites.
Creio que é compatível o voto na despenalização e ser – por pensamentos, palavras e obras – pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto. O "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, da cultura do aborto, embora haja sempre doidos e doidas para tudo.
Eu, agora, competente me confesso para afirmar: quando, em Portugal, o aborto for obrigatório, abandono o país. Nem mais, nem menos.

(1) Catecismo da Igreja Católica, nº 2370, citando a Humanae vitae, 14: AAS 60 (1968), 490.
(2) Carta às Famílias, nº 12.
(3) dn, 21/01/2007. Sobre esta questão, cf. Miguel Oliveira da Silva, Ciência, Religião e Bioética no início da vida, Lisboa, Caminho, 2006, pp. 53-

O aborto e as estaladas.

"Já repararam que um par de estaladas está sujeito a pena de prisão até 3 anos?

Quantas estaladas são dadas por ano em Portugal?

Quantas delas resultam em penas de prisão? As poucas que resultam em tribunal devem provávelmente acabar em... pena suspensa. Humm ... como o Aborto.

Bem, é a "tal" questão.

É crime?
Sim.
Acontece-me alguma coisa?
Nada.

Talvez uma campanha pela despenalização da estalada?

A dramatização feita pelo "Sim" sobre o estatuto de "Criminoso" e a "Pena de Prisão" é na verdade, um pouco ridícula".

in
O aborto e as Estaladas, por Carlos Novais

IVG: SIM, pela vida

por Ana Gomes, dia 5.02.2007, Público

No dia 11 de Fevereiro vou votar SIM. Determinadamente. Porque levo na cabeça uma cena que não julgava já possível em Portugal, no século XXI: a daquela mãe que chorava, num corredor do Tribunal de Aveiro em 2004, depois de me contar o terror que vivia há anos, desde que a filha adolescente, à saída de um consultório médico, fora arrastada por dois polícias para dentro de um carro, levada ao hospital e forçada a submeter-se a exames ginecológicos.
Na sala ao lado estava a filha sentada no banco dos réus, acusada de aborto - seis anos depois, já casada e gravidíssima. A mãe ficara a saber, no tribunal, que toda a família fora alvo de escutas telefónicas anos a fio. Mas o mais opressor era o medo: que o genro, vizinhos e parentes na vilória onde moravam, descobrissem que estavam ali, tratadas como infames criminosas. «Tenho a vida destroçada, o meu marido já não aguenta mais: ontem insistia que nos enfiássemos os três no carro e nos lançássemos por uma ribanceira abaixo!...»
(...)"

(o restante, para quem tiver interesse, no blog http://causa-nossa.blogspot.com/)

O aconselhamento da mãe que quer abortar

Agora os adeptos do SIM vêm dizer que vai estar a necessidade de aconselhamento e período de reflexão para a mãe que quer abortar.
Só me levanta uma questão: se isso estava no projecto de lei que o PS entregou na AR, porque é que foi retirado da versão final? E se foi retirado da versão final, o que é que nos leva a crer que vai ser recolocado?

Outra questão: porque é que os adeptos do SIM teimam em dizer que a lei que temos vigente é igual à de Malta, Irlanda e Polónia quando é mentira? Nestes países, o aborto é proibido em qualquer condição. Em Portugal, a lei vigente permite o aborto mediante condições. Isto é, temos uma lei igual a 1/3 dos países da União Europeia e que é ipsis verbis a lei espanhola...

Discutir é salutar. Mentir na discussão não é bonito. E todos sabemos que a lei portuguesa não é igual à irlandesa...

sábado, 3 de fevereiro de 2007

O Theatro Circo, em Braga.

Sumptuoso. É a palavra que ocorre desde o primeiro segundo em que se lá entra. Uma restauração digna de ser vista como exemplo a seguir em tantos outros espaços do país. O lustre, os dourados, os camarotes, a iluminação, o papel de parede, tudo nos leva de imediato aos derradeiros momentos da monarquia, e à luxuosidade das óperas antigas.

O que ainda teve um sabor mais especial porque os Swingle Singers, nesta sua segunda vez em Portugal, foram simplesmente brilhantes. Só quem não os conhece não está disposto a fazer os quilómetros que forem precisos para os ver.

Os meus parabéns ao município de Braga. Recuperar um espaço como o Theatro Circo e preenchê-lo com uma programação de valor invejável é não só um motivo de apláuso como devia ser um exemplo para os outros municípios.

É que ainda não me recompuz da demolição (há já quase 20 anos) do Theatro Avenida, em Coimbra, com os seus camarotes, aposentos reais, 2 balcões, e o cheiro do século XIX que se perdeu para sempre.
Está em Braga a prova que estes crimes urbanísticos são evitáveis...

Assim Não (Gato Fedorento)

Imperdível:
http://www.youtube.com/watch?v=myf5ces77PU
(com dedicatória para o Q. Afonso)

Pecados íntimos/Little children

http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=158068
De fugir. Há muito tempo que não via um filme tão mau: básico e reaccionário. Inacreditáveis associações entre a pedofilia (?) e o divórcio ou a separação das famílias.
Bom, e estou longe de perceber porque raio a actriz Kate Winslet está nomeada para os óscares. Tem uma interpretação perfeitamente banal.
Que má 6.ªf!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Estar atento

Populismo justicialista
por, José António Lima, no "SOL"

O caso da criança de Torres Novas, do sargento preso e do pai biológico tem sido, como se começa a perceber por estes dias, uma história muito mal contada.
Mas, enquanto se vai acalmando o frémito de comoção que parece ter varrido o país, começa a distinguir-se a verdade dos factos. Os quais revelam que o pai biológico só confrontado pelas autoridades se dispôs, um mês e meio depois do nascimento da criança, fruto de uma relação aparentemente acidental, a fazer testes de ADN para comprovar a paternidade. E que, perante o resultado dos testes, em Janeiro de 2003, tinha a criança um ano, decidiu perfilhá-la e tê-la à sua guarda.
Ao longo destes últimos quatro anos fez inúmeras tentativas para o conseguir. Em vão.Por outro lado, o sargento e a sua mulher, só três meses depois de saberem dos testes de ADN ao pai e à criança tentaram iniciar o processo de adopção, já em 2003. E, desde então, ao longo dos últimos quatro anos, procuraram por todos os meios fugir às decisões judiciais (mudaram de casa, de concelho para concelho, pelo menos cinco vezes...) e impedir que o pai visse sequer a filha.
No decorrer desta saga de quatro anos, o Estado revelou-se nas suas piores facetas. Os serviços de Segurança Social, por compadrio com o casal ou incúria, deram, ilegal e tardiamente, início a um processo de adopção indevido.
As decisões dos tribunais para notificar o sargento e a mulher não foram cumpridas pela PSP que sabia perfeitamente onde o sargento trabalhava. E o caso foi-se arrastando até à inevitável prisão deste.
É por isso de ficar boquiaberto ouvir-se alguém com as responsabilidades políticas e sociais de Jorge Coelho afirmar, com a maior das leviandades, que considera «um escândalo que o sargento Gomes seja mantido sob prisão» e que «temos uma parte significativa dos portugueses a exigir que se faça justiça, que é o que não está a ser feito». O populismo justicialista está de volta. E as crónicas incompatibilidades do PS com a soberania judicial também.

Brilhante!

Sua Excelência o Ministro da Economia (acho que com o novo protocolo de Estado perdeu a Excelência, mas eu mantenho-o. Acho preferível do que "aquele gajo que mexe na economia", que deve ser o próximo protocolo de Estado...) lembrou-se de uma maneira brilhante de convencer os empresários da China a investir em Portugal: os baixos salários dos trabalhadores portugueses.
Estou rendido à argumentação do Sr. Ministro!

Em primeiro lugar, porque falar na China de salários baixos é a mesma coisa que ir para o pólo norte vender cubos de gelo.
Depois porque honra enormemente a economia nacional. Porque não falar ainda na mão-de-obra não qualificada? Será novo intuito do Governo acabar com os subsídios de férias e de Natal?
É impressão minha ou esta declaração é do mais capitalista/fascista que tenho ouvido? Então venha o investimento porque os nossos trabalhadores quase morrem à fome? Invistam que podem explorar à vontade o nosso povo???

É sem dúvida uma forma inteligente de promover o investimento. Acho é que não é totalmente novo. Tenho ideia de ser normalmente utilizada pelo Botswana, Congo, Somália, Paquistão, etc. Tudo exemplos de economias fulgurantes que são, no fundo, o objectivo nacional!

Ao menos serviu para saber que o Sr. Ministro tem de Portugal uma ideia de 3º Mundo e que é nessa qualidade que quer promover a Nação. Muito bem, só para saber.

PS: Queria ver o que aconteceria se tivesse sido um Governo de direita a dizer uma coisa destas...
Queda do Governo pela certa. Mas o nosso povo é assim. Não há problema de lançar mão de brocardos capitalistas a roçar o fascismo, desde que se esteja filiado num partido de esquerda...
Assim, ninguém se importa...